
Cirurgia da tiróide em regime de ambulatório com pernoita
10 Fevereiro, 2026O Congresso Português de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo 2026 e a 77ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), reconheceram vários trabalhos de investigação.
Uma das premiadas é a investigadora Elisabete Teixeira, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), que foi distinguida com a Bolsa Prof. Edward Limbert em Patologia da Tiróide.
O prémio, no valor de 5.000 euros, foi entregue durante o Congresso, que decorreu de 29 de janeiro a 1 de fevereiro, em Coimbra.
A incidência do cancro da tiróide tem aumentado em todo o mundo, e os fatores genéticos, por si só, não explicam este crescimento. Neste projeto vencedor, a equipa propõe o estudo de disruptores endócrinos – químicos presentes no nosso dia-a-dia – como responsáveis pelo aumento do número de cancros da tiróide. Estes químicos estão presentes em tudo o que nos rodeia, desde os recipientes de plástico que usamos para armazenar comida, aos sofás onde nos sentamos e às frigideiras onde cozinhamos a nossa comida.
O estudo propõe estudar estes químicos e os seus efeitos na função tiroideia. Para isso serão feitos estudos usando linhas celulares expostos a estes compostos, mas também modelos animais, concretamente o uso de peixe-zebra, que se tem revelado muito útil neste tipo de estudos.
O que motivou a equipa a concorrer a este prémio foi, sem dúvida, a vontade de divulgar o trabalho junto da comunidade, bem como a necessidade de obter financiamento para o desenvolvimento do projeto. Para a equipa “é uma honra receber este prémio da SPEDM que irá permitir avançar a nossa investigação sobre os efeitos dos destes químicos na tiróide”.
O projeto será desenvolvido no grupo Cancer Signalling and Metabolism do i3S/Ipatimup, liderado pela Professora Paula Soares, e integrando uma equipa multidisciplinar de excelência.

Durante o mesmo Congresso, a equipa foi ainda distinguida com mais dois prémios. Elisabete Teixeira venceu ainda o Primeiro Prémio em Investigação Clínica com o seu trabalho em cancro hereditário da tiróide. Este trabalho consiste numa revisão sistemática cujo objetivo foi reunir e analisar, de forma crítica, a investigação sobre a doença que foi realizada sobre os últimos 30 anos e colmatar as lacunas na literatura.
Este trabalho vai permitir melhorar o diagnóstico precoce, a estratificação do risco e o desenvolvimento de abordagens de medicina personalizada para famílias com cancro hereditário da tiroide. Ao melhorar o conhecimento da doença, este avanço científico poderá promover a prevenção e a vigilância ativa de pessoas em risco, reduzir casos diagnosticados em fases avançadas, evitar tratamentos agressivos e cirurgias invasivas, diminuir comorbilidades e contribuir para uma redução significativa da carga económica associada ao Sistema Nacional de Saúde, reforçando o papel da investigação clínica na melhoria dos cuidados de saúde.
Miguel Castanho foi igualmente distinguido com uma menção honrosa pelo seu trabalho em cancro esporádico da tiróide. Este estudo teve como objetivo explorar alterações genéticas associadas a fusões do gene RET, fortemente relacionadas com o cancro da tiróide do tipo papilar e pouco diferenciado.
Estas três distinções reconhecem a qualidade, relevância e impacto da investigação desenvolvida no i3s na área do cancro da tiróide, reforçando o papel da ciência na promoção da saúde, na melhoria dos cuidados clínicos e na construção de um futuro mais sustentável para os sistemas de saúde.





