
Conheça melhor a Federação Internacional da Tiróide
5 Março, 2026Porque são semelhantes? Porque são diferentes?
Maria João Oliveira | Serviço de Endocrinologia ULS Gaia Espinho
Porque são semelhantes: quer a tiróide, quer as paratiroides localizam-se no pescoço; as paratiroides são de pequeno volume (tamanho de um grão de arroz) e geralmente são 4, encontrando-se 2 por trás, e na parte inferior dos lobos direito e esquerdo da tiroide, e as outras 2 por trás, e na parte superior ou mais próximas do terço médio dos lobos da tiroide. São semelhantes porque ambas são glândulas endócrinas, ou seja, as hormonas que produzem são libertadas no sangue e através da circulação alcançam outros órgãos onde exercem as suas funções.
Porque são diferentes: as hormonas produzidas têm uma função diferente no nosso organismo. A função da tiróide é já bem nossa conhecida – sintetiza as hormonas T4 e T3 que são responsáveis pelo metabolismo (velocidade ou modo de funcionamento) de todas as células, tecidos e órgãos.
A função das glândulas paratiroides talvez seja menos conhecida. Elas produzem uma hormona chamada paratormona ou PTH que é essencial para a regulação dos níveis de cálcio no sangue e para a manutenção do nosso esqueleto ósseo. Ela é libertada no sangue em resposta a baixos níveis de cálcio e ajuda a restaurar esses níveis. Reduz a perda de cálcio pela urina, ativa a vitamina D nos rins, que por sua vez aumenta a absorção do cálcio no intestino delgado e aumenta a libertação do cálcio pelos ossos, contribuindo para a remodelação óssea.
Algumas pessoas têm falta das hormonas da tiróide – hipotiroidismo – e também da PTH – hipoparatiroidismo. Isto pode acontecer após uma cirurgia à tiróide. Em cerca de 3% dos casos o hipoparatiroidismo é permanente, mesmo tratando-se de cirurgias realizadas por cirurgiões experientes. O maior risco dá-se quando a tiróide é muito volumosa (bócio multinodular volumoso) ou é necessário retirar a tiróide toda e os gânglios centrais do pescoço (nalguns casos de cancro da tiróide), em que as paratiroides podem ser danificadas ou retiradas acidentalmente.
Também o tratamento destas duas doenças endócrinas é diferente. O hipotiroidismo é tratado com a reposição da hormona T4 – levotiroxina – que se pode transformar em T3. Através do doseamento da TSH no sangue é possível monitorizar as necessidades de levotiroxina. O hipoparatiroidismo é a única doença endócrina que, até agora, não tem tratamento com a reposição hormonal. Pessoas com hipoparatiroidismo habitualmente são tratadas com comprimidos de vitamina D ativa e cálcio em comprimidos mastigáveis, orodispersíveis ou efervescentes, de forma a normalizar o cálcio no sangue, o que nem sempre é fácil, exigindo um número elevado de comprimidos por dia.
Com esta forma de tratamento muitos doentes mantêm queixas de cansaço, caimbras, parestesias, menor capacidade para o trabalho e pior qualidade de vida. Um nível de cálcio muito baixo pode conduzir a alterações do ritmo cardíaco exigindo atenção médica imediata. A partir de agora vai ser possível a prescrição da hormona paratiroideia.
O palopegteriparatide é a hormona PTH, sintetizada laboratorialmente por um processo inovador, já está disponível nalguns países da Europa e constitui um tratamento promissor para os casos de hipoparatiroidismo severo. Aguarda-se com expectativa a entrada deste novo fármaco no nosso País.
Saiba mais aqui.




