
Microplásticos: exposição nas crianças e adolescentes, que impactos na tiróide?
8 Janeiro, 2026As paratiroides são pequenas glândulas (pelo menos 4) vizinhas da tiroide que regulam os níveis de cálcio no organismo. A saúde dos nossos ossos, músculos, sistema neurológico, entre outros, depende da hormona secretada por estas glândulas – PTH ou paratormona. Vamos conhecer as consequências do seu mau funcionamento.
Autores: Marta Almeida Ferreira e Maria João Oliveira | Serviço de Endocrinologia ULS Gaia Espinho
O hipoparatiroidismo é uma doença rara em que as glândulas paratiroideias perdem a capacidade de produzir a quantidade adequada de hormona paratiroideia (PTH). Esta hormona é essencial para regular os níveis de cálcio e fósforo no sangue e para manter a saúde dos ossos, dos músculos e do sistema nervoso. Na verdade, o cálcio interfere com numerosos processos biológicos, pelo que o seu equilíbrio é fundamental para que o indivíduo tenha uma vida normal. Quando a PTH está diminuída, o cálcio no sangue tende a ficar baixo, o que pode provocar diversos sintomas e afetar a qualidade de vida.
A causa mais frequente de hipoparatiroidismo é a cirurgia ao pescoço, sobretudo cirurgias à tiroide, em que as paratiroides podem ser removidas ou lesionadas inadvertidamente. Outras causas incluem doenças autoimunes, alterações genéticas (formas congénitas), défice grave de magnésio e mais raramente, infiltração das glândulas por outras doenças, como a hemocromatose.
Os sintomas estão relacionados sobretudo com o baixo cálcio no sangue e podem variar de ligeiros a graves:
• Formigueiros nos lábios, língua, mãos ou pés;
• Cãibras e espasmos musculares;
• Fadiga;
• Dor muscular ou articular;
• Ansiedade, irritabilidade, alterações do humor;
• Dificuldades de concentração e memória;
• Em situações mais graves, podem ocorrer convulsões ou alterações do ritmo cardíaco.
Mesmo quando tratado, o hipoparatiroidismo pode ter um impacto significativo no dia a dia. Muitos doentes referem cansaço crónico e sintomas neurológicos persistentes.
O tratamento clássico baseia-se na toma diária de cálcio e vitamina D ativa, exigindo adesão rigorosa e análises frequentes para evitar complicações. Felizmente, neste momento, para casos selecionados, existem já substâncias semelhantes à PTH que permitem um controlo mais adequado da doença, conferindo também menos efeitos secundários relacionados com as tomas de cálcio.
Com acompanhamento especializado, educação do doente e terapêutica adequada, é possível controlar a doença e melhorar a qualidade de vida. Reconhecer os sintomas e compreender a doença é um passo fundamental para viver melhor com esta condição.




