
ADTI no Congresso Português de Endocrinologia
29 Janeiro, 2026
Entrevista com Susana Tavares, Presidente da Associação Portuguesa de Celíacos
5 Fevereiro, 2026Resultados nacionais e implicações clínicas.
Autores: Maria João Oliveira, Assistente graduada sénior de Endocrinologia da ULS Gaia Espinho e Sandra Paiva, Endocrinologista do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra
As hormonas da tiróide são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento fetal, nomeadamente ao nível do sistema nervoso e da futura cognição.
Devido à complexidade da fisiologia e da patologia tiroideia durante a gravidez, o doseamento adequado das hormonas tiroideias revela-se desafiante, sendo a interpretação dos testes laboratoriais distinta da realizada na população não grávida.
As recomendações da American Thyroid Association de 2017 sugerem a utilização de valores de referência da função tiroideia específicos para cada trimestre de gravidez, baseados em dados obtidos numa amostra representativa de mulheres grávidas sem doença tiroideia, com anticorpos anti TPO negativos e aporte adequado de iodo.
Na orientação da Direção-Geral da Saúde de 2013 recomenda-se a suplementação com iodo em grávidas sem doença tiroideia prévia, salientando-se igualmente a necessidade de avaliar a repercussão clínica desta medida dois anos após a sua publicação.
Neste contexto, os grupos de estudo da Tiróide, Gravidez e Laboratório da SPEDM decidiram realizar um estudo multicêntrico, intitulado ‘Quais os intervalos de referência da função tiroideia por trimestre na mulher grávida portuguesa – um estudo transversal’, em mulheres grávidas sem patologia tiroideia prévia, nem outras doenças ou terapêuticas com interferência na função tiroideia. Os principais objetivos foram determinar os limites da TSH e da tiroxina livre (FT4), na ausência de anticorpos anti-TPO, nos três trimestres da gravidez bem como avaliar a suplementação com iodo e a iodúria, entre outros parâmetros.
Alguns estudos preliminares deste estudo foram apresentados no Congresso da SPEDM, que decorreu de 29 de janeiro a 1 de fevereiro de 2026, em Coimbra, antecedendo a sua publicação.
Com a participação de 12 unidades hospitalares, o processamento de mais de 900 amostras e a realização de inquéritos clínicos e alimentares, conclui-se que a maioria das grávidas realiza suplementação com iodo, de forma isolada ou integrada em polivitamínicos, sendo reduzida a proporção de mulheres que utiliza sal iodado. No entanto, identificou-se uma percentagem de mulheres que, apesar de não referirem antecedentes de doença tiroideia, apresentavam anticorpos anti TPO positivos e faziam uso de suplementos de iodo, o que poderá associar-se a um risco acrescido de efeitos adversos.
Após a avaliação da concordância dos resultados de TSH e FT4 obtidos em dois laboratórios centrais, recorrendo a metodologias analíticas distintas, foram propostos intervalos de referência para a TSH e a FT4 nos três trimestres da gravidez, os quais foram discutidos nesta sessão do congresso, bem como as suas futuras implicações clínicas.




