
Tiróide e gravidez
2 Fevereiro, 2026Em entrevista à Associação das Doenças da Tiroide (ADTI), Susana Tavares, Presidente da Associação Portuguesa de Celíacos (APC), fala da Doença Celíaca e considera que “existe um caminho significativo a percorrer, quer ao nível do conhecimento da doença, quer na correta distinção entre doença celíaca, sensibilidade ao glúten não celíaca e outras intolerâncias alimentares”. Apesar de existirem avanços, refere ser “fundamental reforçar o diagnóstico precoce, o acompanhamento multidisciplinar e o apoio contínuo aos doentes celíacos no SNS, garantindo uma resposta mais equitativa e consistente em todo o país”.
ADTI: Fale-me do trabalho desenvolvido pela Associação Portuguesa de Celíacos (APC) e quais são os seus principais objetivos.
Susana Tavares: A Associação Portuguesa de Celíacos (APC) é uma associação sem fins lucrativos e uma IPSS que tem como missão defender os direitos e interesses das pessoas com doença celíaca. A APC dedica-se à prestação de serviços e apoio através de programas de informação, consciencialização, educação e acompanhamento dos doentes celíacos e das suas famílias. Nos últimos anos, tem reforçado significativamente o apoio direto aos associados, nomeadamente através de consultas de nutrição, psicologia e medicina geral e familiar, campanhas de sensibilização, workshops, encontros nacionais, sessões dirigidas a recém-diagnosticados, ações de formação em escolas, hospitais e cantinas, presença em congressos científicos e certificação de estabelecimentos e produtos com o símbolo europeu de isenção de glúten Crossed Grain Trademark.
ADTI: A Doença Celíaca é hoje mais conhecida dos portugueses. Na sua opinião, isso decorre mais de causas naturais ou da informação que chega às pessoas?
Susana Tavares: Considero que o aumento do conhecimento sobre a doença celíaca resulta sobretudo da maior informação que chega às pessoas, muito impulsionada por campanhas de sensibilização e divulgação. Ainda assim, existe um caminho significativo a percorrer, quer ao nível do conhecimento da doença, quer na correta distinção entre doença celíaca, sensibilidade ao glúten não celíaca e outras intolerâncias alimentares.
ADTI: A nível do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considera que a Doença Celíaca tem hoje uma abrangência necessária?
Susana Tavares: Apesar de existirem avanços, considero que ainda estamos longe dos níveis desejáveis. É fundamental reforçar o diagnóstico precoce, o acompanhamento multidisciplinar e o apoio contínuo aos doentes celíacos no SNS, garantindo uma resposta mais equitativa e consistente em todo o país.
ADTI: Há números oficiais sobre quantos portugueses têm Doença Celíaca?
Susana Tavares: A nível europeu, estima-se que a prevalência da doença celíaca seja entre 1% e 3% da população. Em Portugal, estima-se que cerca de 1% da população seja celíaca, o que corresponde a aproximadamente 100.000 pessoas. No entanto, trata-se de uma doença claramente subdiagnosticada, existindo apenas cerca de 15.000 a 20.000 diagnósticos confirmados.
ADTI: A consciencialização e educação são fundamentais. A sociedade portuguesa está hoje sensibilizada?
Susana Tavares: De um modo geral, a sociedade portuguesa está hoje mais sensibilizada para a inclusão e para as questões da diferença, onde a doença celíaca se insere. No entanto, essa sensibilização nem sempre se traduz em conhecimento prático, pelo que a educação contínua continua a ser essencial.

ADTI: Qual o papel das escolas nesta matéria e qual é a realidade nacional?
Susana Tavares: As escolas desempenham um papel fundamental, uma vez que é nelas que crianças e adolescentes passam grande parte do seu dia. Têm a responsabilidade de garantir condições adequadas para os alunos com doença celíaca, especialmente no que diz respeito a refeições e lanches seguros, que são um dos aspetos mais críticos da doença. Importa reforçar que a doença celíaca tem como único tratamento uma dieta totalmente isenta de glúten para toda a vida, sem qualquer risco de contaminação cruzada.
ADTI: Há maior probabilidade de um celíaco ter alguma doença da tiroide?
Susana Tavares: Mais de 30% dos indivíduos com Doença Celíaca apresentam uma ou mais doenças autoimunes, como por exemplo, Tiroidite Autoimune.




