
ADTI participou em debate sobre Hipoparatiroidismo
11 Junho, 2026Artigo de Celeste Campinho, Presidente da ADTI – Associação das Doenças da Tiroide, publicado originalmente no Jornal de Notícias, no dia 5 de junho de 2026.
Nunca houve tanta preocupação com alimentação como hoje.
Lemos rótulos. Procuramos alimentos mais naturais. Reduzimos açúcar. Falamos de inflamação, microbiota, metabolismo e suplementação com uma familiaridade que, há poucos anos, parecia improvável.
E isso é positivo.
Significa que existe uma consciência crescente de que a nutrição desempenha um papel importante na saúde, na energia, no bem-estar e na prevenção da doença.
Mas existe um ponto que continua frequentemente ausente desta conversa: a relação entre nutrição e saúde da tiroide.
A tiroide influencia o metabolismo, a regulação energética, a temperatura corporal, o funcionamento cardiovascular, a saúde emocional e múltiplos mecanismos essenciais ao equilíbrio do organismo. E, ao mesmo tempo, a alimentação pode ter impacto relevante na forma como o corpo funciona e responde.
É precisamente por isso que a Semana Internacional da Tiroide deste ano é dedicada ao tema “Tiroide & Nutrição”.
Porque falar de saúde da tiroide é também falar de literacia em saúde. É ajudar as pessoas a compreender melhor o corpo, os sintomas e os sinais que muitas vezes acabam por ser desvalorizados.
Na Associação das Doenças da Tiroide encontramos frequentemente pessoas que passaram demasiado tempo a tentar “resolver” aquilo que sentiam apenas através da alimentação, do descanso ou de estratégias de estilo de vida.
Pessoas que vivem com fadiga persistente, alterações de peso, falta de energia, dificuldade de concentração, alterações de humor ou sensação de desgaste físico e emocional, sem suspeitar que pode existir uma alteração da tiroide por detrás destes sinais.
E talvez esse seja um dos aspetos mais preocupantes destas patologias: a facilidade com que os sintomas se confundem com aquilo que a sociedade moderna aprendeu a considerar normal.
“É do stress”. “É da idade”. “É da rotina”. O problema é que, para muitas pessoas, não é.
As doenças da tiroide podem afetar até um milhão de portugueses e continuam frequentemente subdiagnosticadas. Isto significa que milhares de pessoas podem viver durante anos com sintomas persistentes sem compreender verdadeiramente a origem do que sentem.
Num tempo em que tanto se fala de bem-estar, burnout, saúde mental e qualidade de vida, talvez seja importante refletir sobre a forma como normalizamos o mal-estar permanente.
A nutrição é fundamental para a saúde da tiroide e para a saúde global. Uma alimentação equilibrada desempenha um papel importante no funcionamento do organismo, no metabolismo e na prevenção de múltiplas doenças.
Mas há uma mensagem igualmente importante que precisamos de reforçar: alimentação saudável não deve significar resignação perante sintomas persistentes.
Quando o corpo dá sinais continuados de desequilíbrio, fadiga ou alteração do bem-estar, é importante procurar avaliação clínica adequada.
Porque cuidar da saúde da tiroide não passa apenas por aquilo que colocamos no prato. Passa também por reconhecer sintomas, procurar acompanhamento e compreender que viver permanentemente cansado não deve ser considerado normal.
Talvez uma das maiores prioridades de saúde pública hoje seja precisamente esta: ajudar as pessoas a ouvir melhor o próprio corpo.
Porque, muitas vezes, o primeiro passo para o diagnóstico começa no momento em que deixamos de banalizar aquilo que sentimos.




