
Webinar sobre Doença de Graves e Doença Ocular da Tiroide
28 Setembro, 2026No Dia de Sensibilização para o Cancro da Tiroide, que se assinalou a 24 de setembro, o semanário Campeão das Províncias dá destaque à efeméride, com testemunhos de Celeste Campinho, Presidente da Direção da Associação das Doenças da Tiroide (ADTI) e Paula Soares, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), investigadora do I3S e Presidente da European Thyroid Association (ETA).
Os especialistas lembram que a apesar do peso da palavra “cancro”, a maior parte dos tumores da tiroide tem um “excelente prognóstico”.
A prevalência de nódulos é elevada, sobretudo nas mulheres, aumentando com a idade, sendo a grande maioria benigna. Além disso, a investigação tem permitido diagnósticos mais precisos, tratamentos mais eficazes e uma melhor adaptação das decisões terapêuticas ao risco real de cada doente.
Em declarações ao jornal, Celeste Campinho, Presidente da Direção da ADTI, refere que o Dia de Sensibilização para o Cancro da Tiroide “é uma oportunidade para colocar a doença no centro da atenção pública”, mas é também “falar de informação, de diagnóstico atempado e de acompanhamento”.
“Em Portugal, como acontece noutros países, temos assistido a um aumento do diagnóstico de alterações e de nódulos da tiroide. A grande maioria é benigna e, quando estamos perante um cancro da tiroide, os diferentes tipos de tumor apresentam comportamentos distintos. Em muitos casos, quando diagnosticado e tratado adequada e atempadamente, o prognóstico é muito favorável”, afirma.
Porém, ressalva Celeste Campinho, “isto não significa que devamos desvalorizar a doença, mas sim garantir que cada pessoa tem acesso à informação e aos cuidados de saúde de que necessita”.
“É precisamente neste domínio que a ADTI assume um papel “essencial”. “A nossa missão passa por defender e representar as pessoas com doenças da tiroide, mas também por aproximar o conhecimento científico da população. A informação de qualidade é uma ferramenta de saúde. Permite compreender melhor os sintomas, perceber quando procurar ajuda e combater mitos que ainda persistem em torno das doenças da tiroide e, em particular, do cancro”, acrescenta.

Paula Soares afirma que o cancro da tiroide tem, na maioria dos casos, um “excelente prognóstico”. “É importante, no entanto, que as pessoas saibam que a maioria dos nódulos da tiroide é benigna e não corresponde a cancro. Existem alguns sinais que justificam avaliação médica, nomeadamente o aparecimento de um nódulo ou aumento de volume no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade em engolir ou respirar, sensação de pressão na garganta ou alterações num nódulo previamente conhecido”, refere, citada pelo jornal. E, perante qualquer uma destas situações, o mais importante é procurar aconselhamento médico.
Para a Presidente da ETA, os avanços mais relevantes resultam do melhor conhecimento da biologia molecular do cancro da tiroide. “Hoje conseguimos identificar alterações genéticas específicas que, em alguns casos, podem ser tratadas com terapêuticas dirigidas, proporcionando novas opções para doentes com doença avançada, particularmente no carcinoma anaplásico da tiroide”, salienta.
Ao mesmo tempo, espera-se uma evolução significativa do diagnóstico pré-cirúrgico. A combinação da ecografia, citologia aspirativa, testes moleculares e ferramentas de inteligência artificial deverá permitir uma avaliação mais precisa dos nódulos.




