
ADTI apela ao reconhecimento do hipotiroidismo como doença crónica em Portugal
25 Maio, 2026
ADTI lança Carta Aberta pelo reconhecimento do hipotiroidismo como doença crónica em Portugal
27 Maio, 2026Na Semana Internacional da Tiroide 2026, que se assinala entre 25 e 31 de maio, abordamos a importância desta pequena glândula que desempenha um papel essencial no equilíbrio do organismo.
Dra Lia Vieira | ULS Gaia Espinho
A tiroide é uma pequena glândula em forma de borboleta, localizada na parte anterior do pescoço, que desempenha um papel essencial no equilíbrio do organismo. Produz hormonas, a T4 e a T3, que regulam o metabolismo – a velocidade com que o corpo utiliza energia – e influenciam praticamente todos os órgãos e sistemas: coração, cérebro, músculos, pele, intestinos, crescimento e desenvolvimento do organismo, temperatura corporal, controlo do peso e até o humor, entre outras funções.
Quando a tiroide funciona bem, nem damos por isso. Mas quando há alterações na sua função ou estrutura, podem surgir vários problemas que afetam profundamente a saúde e o bem-estar. Estas doenças são muitas vezes silenciosas ou não reconhecidas, pela diversidade de sintomas inespecíficos associados, facilmente confundidos com os de outros problemas de saúde.
No entanto, são muito comuns, afetando mais de um milhão de portugueses e de 300 milhões de pessoas no mundo, principalmente do sexo feminino. Ainda assim, estima-se a existência de 60% de pessoas com distúrbios da tiroide por diagnosticar.
As principais doenças da tiroide podem dividir-se em dois grandes grupos: as que alteram o funcionamento e as que afetam a estrutura da glândula.
Hipotiroidismo – é o distúrbio da tiroide mais comum e ocorre quando há produção insuficiente de hormonas tiroideias. Os sintomas podem incluir cansaço, aumento de peso, pele seca, queda de cabelo, ligeiro de peso, sensação de frio, irritabilidade, depressão ou irregularidades menstruais e lentificação geral. A causa mais frequente é a tiroidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o sistema imunitário “ataca” a própria tiroide.
Hipertiroidismo – é o oposto: a tiroide produz hormonas em excesso, o que acelera o metabolismo. Os sintomas podem incluir palpitações, perda de peso involuntária, ansiedade, tremores e intolerância ao calor. A causa mais frequente é a doença de Graves, também de origem autoimune.
Nódulos da tiroide – muito comuns, especialmente em mulheres e com o avançar da idade. A maioria é benigna e não provoca sintomas, mas uma pequena proporção pode necessitar de vigilância mais apertada ou tratamento.
Cancro da tiroide – embora seja relativamente raro, a prevalência tem aumentado nas últimas décadas, sobretudo em formas detetadas precocemente e com bom prognóstico.
A avaliação da tiroide é simples e acessível: inclui a observação clínica com palpação cervical, análises ao sangue (doseamento de hormonas tiroideias) e, muitas vezes, ecografia tiroideia. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem, na maioria das situações, uma vida perfeitamente normal.
É importante estar atento e reconhecer os sinais e sintomas do corpo e efetuar o rastreio quando indicado (por exemplo, em grávidas ou pessoas com antecedentes familiares de doença tiroideia). As doenças da tiroide são comuns, tratáveis e, acima de tudo, podem ter impacto em múltiplas dimensões da saúde. Neste Dia da Tiroide e Semana Internacional da Tiroide, relembramos que cuidar da tiroide é cuidar de todo o corpo. Uma glândula tão pequena que merece, sem dúvida, a nossa atenção.




