
Tiróide e Paratiroides: glândulas vizinhas
10 Março, 2026Celebra-se hoje, 13 de março, o Dia Mundial do Sono.
No Dia Mundial do Sono é fundamental refletirmos sobre o papel que as hormonas tiroideias têm na qualidade do nosso sono.
Autor: Dr.ª Inês Sapinho | Coordenadora do Serviço de Endocrinologia, da Unidade da Tiróide e da Unidade da Menopausa dos Hospital CUF Descobertas; Coordenadora da Unidade da Obesidade do Hospital CUF Descobertas; Autora do livro ‘Os segredos da sua tiróide’; Membro do Conselho Consultivo e Científico da ADTI.
A glândula da tiróide apesar do seu pequeno tamanho, tem uma função gigante: funciona como o “acelerador” do corpo, controlando a velocidade do nosso metabolismo. O que muitas pessoas não sabem é que a saúde da nossa tiróide está intimamente ligada à qualidade do nosso sono.
Quando a tiróide não funciona bem, o nosso descanso é um dos primeiros a sofrer. Esta relação funciona, essencialmente, de duas formas, dependendo se a glândula está a trabalhar muito ou pouco:
1. Quando a tiróide trabalha de mais (Hipertiroidismo)
Se a tiróide produz hormonas em excesso, o corpo entra num estado hiperativo, como se estivéssemos, constantemente com o “pé no acelerador”. É como tentar dormir depois de beber vários cafés. Nestes casos, é muito comum as pessoas sofrerem de insónias. As principais queixas incluem:
- Dificuldade em adormecer ou em manter o sono durante a noite.
- Sensação de ansiedade, agitação e irritabilidade extrema.
- Coração a bater muito rápido (palpitações), tremores e suores noturnos.
- Necessidade de acordar várias vezes durante a noite para urinar.
2. Quando a tiróide trabalha de menos (Hipotiroidismo)
Por outro lado, quando a tiróide não produz hormonas suficientes, o metabolismo fica mais lento, fazendo com que o corpo perca a sua energia. Os efeitos no sono e no descanso incluem:
- Cansaço extremo e sonolência constante: a pessoa sente-se permanentemente exausta e apática, mesmo que tenha dormido muitas horas.
- Apneia do sono e ressonar: o hipotiroidismo pode causar um inchaço nos tecidos (como o aumento do volume da língua), o que dificulta a passagem do ar durante a noite. Isto pode levar ao ressonar e a pausas na respiração enquanto se dorme (Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono), o que fragmenta o sono e impede um descanso real.
- Síndrome das Pernas Inquietas: muitas pessoas com a tiróide lenta relatam uma vontade incontrolável e desconfortável de mexer as pernas quando se deitam, o que prejudica seriamente a capacidade de adormecer.
Uma via de dois sentidos
A relação entre a tiróide e o sono é bidirecional. As nossas hormonas seguem o nosso ritmo circadiano (o “relógio” interno do corpo que nos diz quando é dia e quando é noite). Se uma pessoa tem hábitos de sono muito irregulares ou dorme pouco de forma crónica, isso pode desregular a produção da TSH, a hormona que comanda a tiróide. Por outro lado, um desequilíbrio na tiróide pode baralhar este relógio biológico, fazendo, por exemplo, com que a pessoa tenha tendência para acordar demasiado cedo de madrugada.
A boa notícia
Felizmente, a grande maioria destes distúrbios do sono melhora significativamente ou desaparece por completo quando a doença da tiróide é diagnosticada e o doente inicia a medicação adequada para regularizar os níveis hormonais.
O que fazer?
Muitas vezes, culpamos o stress, o excesso de trabalho ou a idade pelo nosso cansaço, pelas insónias ou pelas alterações de humor. No entanto, se sofre de problemas de sono constantes e sente o seu corpo demasiado acelerado ou, pelo contrário, sem energia nenhuma, o seu corpo pode estar a dar-lhe sinais de alerta.
Não ignore: fale com o seu médico! Umas simples análises ao sangue podem ser o primeiro passo para recuperar as suas noites de sono tranquilo.




