
Qual a relação dos ossos com a sua tiroide?
11 Agosto, 2026A principal causa do hipoparatiroidismo é a remoção ou lesão das glândulas paratiroides durante uma cirurgia, sobretudo em intervenções realizadas na tiroide ou no pescoço.
Quando estas pequenas glândulas são danificadas ou removidas, deixam de produzir uma quantidade suficiente de hormona paratiroideia (PTH), responsável por ajudar a controlar os níveis de cálcio e fósforo no sangue. Como consequência da diminuição da PTH, os níveis de cálcio no sangue podem baixar, provocando hipocalcemia.
Neste artigo partilhamos o testemunho de ‘Marta’* uma doente com hipoparatiroidismo crónico. A sua experiência contribui não só para disseminar conhecimento sobre o assunto, como para ajudar outras pessoas com a mesma condição.
Testemunho
Chamo-me Marta, tenho 47 anos e em maio de 2022 fui submetida a uma tiroidectomia total com linfadenectomia por carcinoma papilar da tiroide. A cirurgia correu bem mas fiquei com uma sequela, o hipoparatiroidismo crónico.
Desde esse dia, a minha vida mudou completamente – de forma silenciosa e invisível para quem me rodeia.
Todos os dias e noites tenho cãibras e espasmos musculares que surgem sem aviso em várias partes do corpo, tornando difícil ou até impossível por vezes, realizar tarefas tão simples como tomar banho, conduzir uma pequena distância ou até só andar. As mãos, os pés e a boca estão permanentemente dormentes, uma sensação constante de formigueiro que nunca pára. Um exemplo prático, por vezes, tenho as chaves de casa na mão, mas não sinto e tenho de olhar para confirmar se estão ou não. Existem dias em que sem qualquer razão aparente fico com fortes dores de cabeça e a visão turva. A fadiga é tão intensa que tarefas simples como lavar os dentes ou vestir a roupa se tornam um esforço enorme. Sinto também uma grande dificuldade em me concentrar numa simples tarefa, lembrar-me de coisas e pensar com clareza (por exemplo construir um raciocínio, uma frase).
Com o calor, tudo piora. O meu corpo parece recusar-se a mover-se. Nos dias mais quentes, mesmo que não faça nenhuma tarefa com impacto físico, sinto uma falta de energia incapacitante.
Em resumo, esta doença tira-nos bastante qualidade de vida (física e mentalmente) nos simples gestos do dia a dia. Sendo também uma doença muito dinâmica no sentido em que ao longo do dia podemos passar por vários estágios da mesma (estar bem, estar mal, estar com cãibras constantes, etc.), não sendo previsível como vamos acordar ou passar o dia e a medicação que tomamos pode ajudar ou atenuar os sintomas, mas definitivamente não resolve o problema.
Estes sintomas afetam tudo: a minha vida profissional, a minha vida familiar, a minha capacidade de ser a pessoa que sempre fui. Deixei de conseguir conduzir com segurança. Deixei de conseguir trabalhar presencialmente.
Tomo cálcio e vitamina D todos os dias. Mas como aprendi, este tratamento não substitui a paratormona em falta – não corrige a causa da doença. E a longo prazo, a suplementação prolongada não está isenta de riscos renais e ósseos.
Se o meu testemunho puder acelerar este processo e ajudar outros doentes como eu a terem acesso a uma vida melhor, partilho-o com todo o gosto.
*Nota: A Marta é uma pessoa real, apenas a identificamos apenas pelo primeiro nome, para proteger a sua privacidade.




